X AORCB PCP - Luta de outras camadas - Carina Caetano

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Criado em terça, 24 maio 2016, 15:20

X ASSEMBLEIA DE ORGANIZAÇÃO REGIONAL DE CASTELO BRANCO DO PCP

21.MAIO.2016

Com o PCP, luta e confiança por um distrito com futuro!

Os call centers e a precariedade

No distrito de Castelo Branco, assim como em todo o interior, o emprego para além de escasso é cada vez mais precário. Com a grave crise económica, o trabalho temporário e precário tem ganho terreno, crescendo a um ritmo inaceitável.

As empresas de trabalho temporário dominam o mundo laboral e estão em força sobretudo no sector das telecomunicações. Portugal tem mais de 450 Call e Contact Centers, com mais de 10 posições de atendimento, em 12 sectores de economia, sobretudo em regime de outsourcing.

Castelo Branco conta já com 5 call centers: 2 da Pt contact, 1 da Altice, 1 da Vodafone e 1 da Cityseeds, e no distrito já há cerca de dois milhares de trabalhadores neste setor. A maioria dos quais com contratos precários, a termo, com renovações mensais ou quinzenais, com baixos salários, sempre o mínimo dos mínimos e com pressões constantes para cumprirem os objetivos caso contrário são “dispensados”, mesmo quando passa por venderem produtos a clientes que como se sabe têm pouco poder económico.

Estes trabalhadores, enfrentam uma situação que pode ser classificada como uma “selva laboral”, imprópria do Século XXI, onde os trabalhadores têm o dever de trabalhar, sem direitos. O trabalho temporário que tem como principal papel a satisfação de necessidades de mão-de-obra pontuais, tem servido para substituir mão-de-obra permanente, por trabalhadores precários, com salários ainda mais baixos. Os trabalhadores destas empresas, para além de receberem o salário mínimo nacional ainda têm de pagar os impostos mais altos da UE.

Apesar da remuneração ser muito baixa, estas empresas ainda tentam contornar a lei e arranjar maneira de arrecadarem mais algum do que devia ser pertença dos trabalhadores.

É urgente mudar a legislação do trabalho temporário, haver limites ao recurso deste tipo de trabalho. Haver fiscalização assídua e contínua aos contratos pelas autoridades competentes. Operador de call center devia de ser considerada uma profissão de desgaste rápido como já acontece em muitos países, haver condições específicas para estes trabalhadores. Tem de haver horários reduzidos, nunca superiores a 35 horas ou mesmo trinta como já acontece noutros países. Os tempos de pausa diária deviam de ser superiores aos três minutos por hora, permitindo os trabalhadores descansarem entre as chamadas. Devia de ser proibido contar o tempo de ida a casa de banho como tempo de pausa, pois este serve para descansar e não para necessidades fisiológicas. Tem de haver mais proteção aos delegados sindicais evitando as perseguições, represálias e tentativas de despedimentos, como acontece com regularidade. Os sindicatos têm feito um enorme esforço para defender estes trabalhadores. Neste setor, o SINTTAV, que é o sindicato nacional mais representativo, com um grande e envolvente trabalho dos trabalhadores dos call centers, aprovou um Caderno Reivindicativo com 20 pontos, onde podem ser vistas as principais necessidades dos call centers.

É muito importante o acompanhamento e intervenção do PCP junto destes trabalhadores reforçando o conhecimento sobre os seus problemas, contribuindo para a sua organização. É fundamental a intensificação e ampliação da luta das várias camadas da população e a união dos trabalhadores e do povo para que juntos sejam mais fortes para travar a precariedade e as injustiças e encontrar-se um rumo diferente, uma política patriótica e de esquerda.

Carina Caetano Organização de Empresas

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