Ao assalto, novamente! O mundo da trafulhice

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Criado em terça, 10 novembro 2009, 17:07

Ainda só tinham passado dois dias após as Eleições Autárquicas e logo saiu a primeira das muitas notícias, que o “grande crivo” meticulosamente congelara durante o longo período eleitoral. A Qimonda informava que iria despedir até Abril 455 trabalhadores. Estava dado o sinal de partida para uma nova e violenta ofensiva contra os direitos de quem trabalha e que pretende agravar, ainda mais, a exploração da mão-de-obra.

É longa, a lista de empresas que decidiram, uma vez mais, enviar para cima dos ombros dos trabalhadores os custos da crise do sistema capitalista, semeando a inquietação e a instabilidade, recorrendo a todos expedientes e truques que permitam pagar menos pelo trabalho e, ao mesmo tempo, pressionar e punir quem ouse revoltar-se.

A lista é longa e promete aumentar a toda a hora, ainda assim, aqui ficam algumas das empresas envolvidas: Além da Qimonda, está a insolvente Irarion Solar, que partilham as instalações, nesse imenso espaço só ficam a trabalhar cerca de 230 pessoas, sendo que os trabalhadores despedidos já vão em 1300. Em Ponte de Sor, a Delphai vai encerrar até ao fim do ano e despedir mais de 430 trabalhadores. A mesma empresa, na Guarda já oficializou que até 31/12 vai despedir 300 pessoas e mantém a intenção de liquidar mais 200 postos de trabalho até Março. Em Tomar, a construtora João Salvador vai ser liquidada, mais 320 pessoas para o desemprego. Em Vila Chã de Ourique, a Fleximol procedeu ao despedimento colectivo de 15 pessoas. Na Saint-Goban, em S. Iria da Azóia, a pressão sobre os trabalhadores já provocou três internamentos por motivos de saúde, na Império Pneus, além do subsídio de férias em atraso, os trabalhadores foram impedidos de trabalhar. Na longa lista de ilegalidades, pressões e expedientes de toda ordem constam as seguintes empresas: Oliva, Ogma, Leoni, Euroresinas, o jornal “O Crime”, CP, Gás-Portugal, Montepio, etc.

Também os trabalhadores das Auto-Estradas vêem os empregos e direitos ameaçados.
E, tudo isto acontece, só depois das eleições...Muito estranho…Não acham?

Contrastando com o dramatismo da situação, os bancos e grandes grupos económicos continuam a apresentar lucros escandalosos. A crise, como mostram os resultados, só significa sacrifícios para a grande maioria que trabalha. É um fartar vilanagem!

O que se passa na PT é bem demonstrativo do regabofe que reina nas grandes empresas. Além das mordomias e salários, a administração, foi contemplada com prémios no valor 834 mil euros (Zaimal Bava recebe de prémio, 51.433 euros). Crise, qual crise?

Mas, o vencimento dos funcionários de “instalação de redes” é apenas de 517 euros!
Há quem diga, que o “que se conhece publicamente na PT é apenas a ponta do iceberg”. O mesmo se passa em muitas outras empresas, onde a falta de transparência, troca de favores, redes de interesses e tráfego de influências é o pão-nosso de cada dia.

E, os últimos acontecimentos aí estão para comprovar. As situações sucedem-se umas atrás das outras. O que se dizia à boca pequena é, agora, capa de jornais e abertura de telejornais. Os acontecimentos mostram que “interesses político/empresariais” encaixam com alguma precisão, com comportamentos e práticas governativas passadas. Há quem diga “que quase definem um comportamento geracional”. De facto e tendo em conta os nomes e rostos (faces ocultas) que frequentemente são ligados a “casos” antigos e recentes, facilmente se torna possível, ao comum dos mortais, identificar a época e os governos de que fizeram parte. É só fazer as contas e nunca se enganar!

Há muito, que fontes estrangeiras apontam Portugal como um dos países mais corruptos da Europa, quiçá do mundo. Uns estranham, outros não. De facto, como diz um amigo meu, “como estranhar os excessos de corrupção num sistema por natureza corrupto?” 

Tendo em conta o trajecto dos envolvidos e pondo de parte o inicial ribombar do foguetório mediático, muita areia vai entrar na engrenagem, dificultando e travando o andamento do processo. Sabendo-se o desenrolar de casos semelhantes que envolvem conhecidas figuras da política e do mundo empresarial, imediatamente está criado um clima de desconfiança sobre o sistema judicial. Para muitos vai ser, mais um caso igual a tantos outros. Adiado, esquecido e prescrito. Á indignação sucederá o conformismo!

Enfim, é o próprio sistema de valores e convivência que é posto em causa!
É verdade. A maior parte das pessoas já deixaram de acreditar nos valores da justiça. Ao dar uma vista de olhos pela Blogosfera, tanto na Net, como na que é citada nos jornais, verifiquei uma total descrença, mesmo indiferença, quanto ao desenrolar de todos estes casos com que temos vindo a ser “brindados” a um ritmo avassalador. Ainda se está ser confrontado com um, já outro desponta no horizonte. E, eles arrastam-se, arrastam-se, arrastam-se até à náusea!

E, mais uma vez, tudo aconteceu só depois das eleições…Estranho, muito estranho!
Entretanto, há quem continue a querer enganar o povo, dizendo que os ventos são favoráveis e que há sinais de recuperação. Como é possível? As empresas continuam a encerrar e o desemprego não pára de aumentar!
Vamos continuar a acreditar nos trafulhas?

Carlos Vale - Membro da DORCB do PCP

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